Afastado da administração municipal pelo prefeito José Fortunati (PDT) desde setembro, o ex-diretor-presidente da Carris João Pancinha (PMDB) comemora o resultado da sindicância na empresa, que o liberou das suspeitas de superfaturamento de valores para o serviço de adesivagem de ônibus com temática da Copa do Mundo de 2014.
"Não esperava outro resultado. Tinha certeza do resultado que teríamos. Estou tranquilo, tocando o barco em frente", diz Pancinha, que voltou a atuar como engenheiro civil, prestando consultoria.
A conclusão da sindicância interna da Carris aponta que "não houve qualquer conduta capaz de resultar em responsabilidade" a Pancinha, ainda que tenha havido "um excesso de confiança em relação aos demais diretores". O peemedebista reforça que "se houve um problema na Carris, não passou por mim".
A sindicância interna da empresa descartou o superfaturamento do serviço de adesivagem, mas apontou incorreção em atos administrativos. A direção da Carris rompeu o contrato e está reivindicando na Justiça não pagar o valor de R$ 80 mil que a empresa cobrou por 12 ônibus que foram adesivados.
O relatório, concluído em 20 de outubro, responsabiliza os diretores técnico Helio Flores Mendes e o financeiro Luís Fernando Coimbra Albino, ambos do PMDB, pelas incorreções administrativas.
Pancinha justifica que "em indicações partidárias, claro que confiava". "Na realidade, fazíamos reuniões uma vez por semana, uma vez a cada dia. Mas cada um era responsável por sua área", explica.
Apesar de o relatório apontar que a conduta dos dois diretores levou o ex-presidente da Carris a incorrer em erro, Pancinha não faz críticas aos correligionários. "Vamos ver daqui para frente. Não tenho nada contra a conduta dos dois. Temos que avaliar e aguardar."
Com a saída do presidente e dos dois diretores em setembro, o arquiteto Sérgio Zimmermann (PMDB) assumiu a presidência da Carris. Com ele, ingressaram na diretoria técnica Carlos Alexandre Ávila e na diretoria financeira Vidal Pedro Abreu.
O contrato da Carris com a empresa de adesivagem Jak Fotogravuras está sob investigação do Ministério Público de Contas, que está apurando a possibilidade de os valores do serviço terem sido superfaturados. O órgão encaminhou investigação e já recebeu documentação sobre o processo licitatório na Carris, mas ainda não finalizou a investigação.
‘Não tive oportunidade de falar', desabafa ex-vereador
Embora diga que não guarda mágoas do prefeito José Fortunati (PDT), o ex-presidente da Carris João Pancinha (PMDB) revela um tom de ressentimento ao dar sua versão sobre o afastamento da direção da companhia. "Não tive oportunidade, na época, de falar nada. A sindicância mostrou que eu estava correto", avalia.O ex-presidente da Carris, que possuía status de secretário municipal, revela que nem chegou a participar da reunião em que o prefeito comunicou ao PMDB de Porto Alegre o seu afastamento.
E diz que quer mirar o futuro. "Isto passou, o prefeito tomou a atitude que achou que deveria tomar, preservando a imagem da Carris, afastando a diretoria para averiguar os fatos", diz. "Foi isso que ele decidiu na época, porque hoje é diferente, ele deixa correr alguma sindicância e as pessoas ficam no lugar. Estou tranquilo, o que passou, passou", acrescentou em seguida.
O futuro de que fala Pancinha é o sonho de retornar ao Legislativo, onde assumiu uma cadeira de vereador, em 2009, com a entrada dos vereadores Professor Garcia e Idenir Cecchim para o secretariado do então prefeito José Fogaça (PMDB).
Segundo suplente do PMDB na Câmara Municipal, Pancinha sonha em retornar à Casa em 2013. O peemedebista, no entanto, acredita que as denúncias envolvendo a gestão da Carris macularam sua imagem diante da população.
"Sou um homem público, sou vereador, fui suplente durante um ano e meio, e qualquer desgaste afeta o patrimônio que tenho, que é a imagem, o voto. A avaliação na época não foi benfeita, mas estou tentando resgatar justamente essa questão da imagem."
Apesar de contabilizar os danos de suspeitas de irregularidades, Pancinha relata que o apoio dos correligionários foi fundamental para manter a confiança. "Recebi muito apoio, manifestações principalmente da base partidária."